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Exame de PSA em 2026: o que mudou e o que continua igual

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Guilherme Littig
há 2 horas
8 min de leitura

Por Dr. Guilherme Littig — Urologista | CRM-RJ 52.84373-3 | RQE 45.420 · Atualizado em 18/10/2026

Resposta direta: em 2026, as diretrizes americana (AUA) e europeia (EAU) foram atualizadas. A EAU recomenda repetir um PSA alterado antes de outros exames e usar a ressonância para decidir sobre a biópsia. A posição da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que eu sigo no consultório, continua a mesma: não fazer o exame em todos os homens sem critério, e sim uma conversa individual a partir dos 50 anos, ou dos 40 a 50 anos para quem tem maior risco.

O que é o exame de PSA?

O PSA (antígeno prostático específico) é uma proteína produzida pela próstata. Ela é medida num exame de sangue simples.

O PSA é o marcador mais usado para ajudar no diagnóstico do câncer de próstata, mas ele sozinho não confirma a doença. Um valor alto não significa, por si só, que você tem câncer, nem que um eventual tumor seria agressivo. Essa é a posição conjunta da SBU e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBU e SBPC/ML).

Por isso, eu sempre explico: o PSA é o começo de uma conversa, não um diagnóstico.

O que a SBU recomenda?

A SBU, junto com as sociedades brasileiras de Oncologia Clínica (SBOC) e de Radioterapia (SBRT), publicou um posicionamento sobre o rastreamento do câncer de próstata. Rastreamento é fazer exames em quem não tem sintomas, para achar a doença cedo (SBU, SBOC e SBRT, 2023).

Em resumo, as três sociedades recomendam:

  • Discussão individual sobre os benefícios e os riscos do PSA para homens de maior risco.

  • Fazem parte desse grupo os homens acima de 50 anos com expectativa de vida maior que 10 anos.

  • Também fazem parte dele os homens entre 40 e 50 anos que têm histórico familiar de câncer de próstata, são negros ou têm mutação no gene BRCA (uma alteração genética herdada que aumenta o risco de alguns tipos de câncer).

  • A conversa deve incluir a chance de encontrar tumores indolentes, isto é, de crescimento muito lento, que talvez nunca precisassem de tratamento.

Ou seja, a SBU não defende pedir o PSA de todos os homens sem critério. Ela defende que você e o seu urologista decidam juntos.

O que mudou nas diretrizes de 2026?

Diretriz europeia (EAU)

A Associação Europeia de Urologia atualizou sua diretriz de câncer de próstata em 2026 (EAU, 2026). Os pontos que mais interessam a você:

  • Estratégia adaptada ao risco: a avaliação começa aos 50 anos. Começa aos 45 anos se houver caso de câncer de próstata na família antes dos 60. Começa aos 40 anos em quem tem mutação no gene BRCA2.

  • Repetir o PSA alterado: em homens sem sintomas, um PSA moderadamente elevado deve ser repetido antes de qualquer outra investigação. A diretriz sugere fazer o novo exame cerca de quatro semanas depois, em condições padronizadas.

  • Ressonância antes da biópsia: a ressonância magnética da próstata é uma das ferramentas recomendadas para decidir se a biópsia é necessária. Biópsia é a retirada de pequenos fragmentos da próstata para análise.

  • Intervalo entre os exames: depende do PSA inicial. Para quem tem baixo risco, a diretriz admite adiar o próximo exame por até oito anos.

Diretriz americana (AUA)

A Associação Americana de Urologia e a Sociedade de Urologia Oncológica (SUO) publicaram uma atualização da diretriz de detecção precoce em fevereiro de 2026 (Lin e colaboradores, Journal of Urology, 2026).

A diretriz mantém a decisão compartilhada entre médico e paciente como princípio central. A atualização trouxe informações novas sobre o toque retal, sobre a ressonância antes da primeira biópsia e sobre como personalizar o intervalo entre os exames.

Meu PSA veio alto. E agora?

Primeiro: calma. O PSA pode subir por motivos que não têm relação com câncer.

A diretriz europeia cita alguns deles (EAU, 2026):

  • Ejaculação nos dias anteriores ao exame;

  • Manipulação recente da próstata ou das vias urinárias, como sonda ou biópsia;

  • Infecção urinária ou da próstata (prostatite), que pode elevar muito o PSA e levar até um ano para normalizar.

A mesma diretriz lembra que o aumento benigno da próstata, chamado de hiperplasia prostática benigna (HPB), também pode elevar o PSA. Já alguns remédios usados para tratar a HPB fazem o contrário: reduzem o valor do PSA. Por isso, avise o médico sobre os remédios que você usa.

Por isso, o passo mais comum é repetir o exame, com as orientações de preparo. Se o valor continuar alterado, o próximo passo costuma ser a avaliação no consultório e, em muitos casos, a ressonância da próstata. A biópsia só entra quando há indicação.

O toque retal ainda é necessário?

Sim, em muitos casos. O toque retal é o exame em que o médico avalia a próstata com o dedo, pelo reto. Ele é rápido e avalia o tamanho, a consistência e a presença de nódulos.

A diretriz europeia lembra que, em cerca de 18% dos casos, o câncer de próstata é encontrado apenas pelo toque alterado, qualquer que seja o valor do PSA (EAU, 2026). Ela também informa que o toque não altera o resultado do PSA. Quando o toque está alterado, a diretriz indica a ressonância e, em alguns casos, a biópsia.

Na diretriz europeia, o toque é feito junto com o PSA nos homens de maior risco que optam pela investigação. A diretriz americana de 2026 também trouxe informações novas sobre o toque. Se ele é necessário no seu caso, isso se decide na consulta.

Por que as recomendações parecem diferentes?

Porque elas respondem a perguntas diferentes.

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional, isto é, convocar todos os homens sem sintomas para fazer o PSA. A justificativa é o risco de sobrediagnóstico e de tratamentos desnecessários. A mesma nota técnica orienta a decisão compartilhada com os homens que pedem o exame. Ela também reconhece que diretrizes nacionais e internacionais indicam o PSA e o toque retal para homens de risco elevado e para quem tem sintomas urinários (Ministério da Saúde, Nota Técnica nº 9/2023).

A SBU concorda que não se deve fazer o exame em todos sem critério. A diferença está na ênfase: a SBU defende que os homens de maior risco tenham acesso a essa conversa com o urologista.

No fim, todas as fontes chegam ao mesmo ponto: a decisão é individual.

Como eu conduzo isso no consultório

No meu consultório, eu sigo a posição da SBU e uso as diretrizes AUA e EAU como complemento. Na prática, isso significa:

  • conversar sobre seu histórico familiar, sua idade e sua saúde em geral;

  • explicar o que o PSA pode e o que ele não pode mostrar;

  • repetir um PSA alterado antes de pensar em outros exames;

  • indicar a ressonância quando ela ajudar a decidir sobre a biópsia;

  • definir com você de quanto em quanto tempo repetir o exame.

Todo exame e todo procedimento têm limitações e riscos. A biópsia, por exemplo, pode ter complicações, como sangramento e infecção. Esses pontos são discutidos na consulta.

Quando procurar um urologista

Procure uma avaliação se você:

  • tem 50 anos ou mais e nunca conversou sobre o PSA com um médico;

  • tem entre 40 e 50 anos e tem caso de câncer de próstata na família, é negro ou sabe que tem mutação no gene BRCA;

  • recebeu um resultado de PSA alterado;

  • notou jato urinário fraco, dificuldade para urinar, necessidade de urinar mais vezes (de dia ou à noite) ou sangue na urina.

Esses sinais não significam câncer. Eles merecem uma avaliação com calma.

Perguntas frequentes

Com que idade devo começar a fazer o PSA?

Pela posição da SBU, a conversa sobre o PSA deve começar a partir dos 50 anos, para homens com expectativa de vida maior que 10 anos. Para quem tem maior risco, ela começa mais cedo, entre 40 e 50 anos. A diretriz europeia de 2026 segue uma linha parecida, com idades de início que variam conforme o risco. Em qualquer caso, fazer ou não o exame é uma decisão tomada com o seu urologista.

Meu PSA veio alto. Tenho câncer?

Não necessariamente. O PSA pode subir com infecção urinária, prostatite, aumento benigno da próstata, ejaculação recente ou manipulação das vias urinárias. Por isso, a diretriz europeia recomenda repetir o exame antes de qualquer outra investigação. Se o valor continuar alterado, o urologista avalia o seu caso e pode indicar uma ressonância da próstata. A biópsia só é feita quando há indicação.

Ainda preciso fazer o toque retal?

Em muitos casos, sim. A diretriz europeia lembra que alguns tumores são encontrados apenas pelo toque, qualquer que seja o valor do PSA. Por isso, ele é feito junto com o PSA, e não no lugar dele. O toque também não altera o resultado do PSA. É um exame rápido e, se for indicado para você, eu explico antes como ele é feito.

Para que serve a ressonância de próstata antes da biópsia?

A ressonância magnética mostra imagens detalhadas da próstata e pode apontar áreas suspeitas. A diretriz europeia de 2026 usa esse exame para ajudar a decidir se a biópsia é necessária e para direcionar a biópsia às áreas suspeitas. A ressonância tem limitações: segundo a mesma diretriz, um resultado normal não exclui totalmente a doença. Por isso, ela é interpretada junto com o PSA e o exame clínico.

De quanto em quanto tempo devo repetir o PSA?

Não existe um intervalo único para todos. A diretriz europeia propõe intervalos conforme o primeiro resultado. Para quem tem baixo risco, o próximo exame pode ser adiado por até oito anos. A diretriz americana também passou a dar mais espaço à personalização do intervalo. O urologista define a frequência levando em conta a sua idade, o seu histórico e os seus resultados anteriores.

Quem tem pai ou irmão com câncer de próstata deve começar antes?

Sim. O histórico familiar é um dos fatores que fazem a conversa sobre o PSA começar mais cedo. Pela posição da SBU, homens com histórico familiar podem iniciar a avaliação entre 40 e 50 anos. A diretriz europeia cita os 45 anos para quem tem caso na família diagnosticado antes dos 60 anos. Se esse é o seu caso, vale conversar com o urologista.

O que pode alterar o PSA (relação sexual, ejaculação, infecção)?

Ejaculação, infecção urinária, prostatite, aumento benigno da próstata e manipulação recente das vias urinárias, como sonda ou biópsia, podem elevar o PSA. A infecção pode deixar o PSA alto por até um ano. Já alguns remédios para a próstata reduzem o valor. Por isso, a diretriz europeia recomenda repetir o exame em condições padronizadas. Antes do exame, siga as orientações de preparo do seu médico e do laboratório.

Sobre o autor

Dr. Guilherme Littig — Urologista | CRM-RJ 52.84373-3 | RQE 45.420

Urologista no Rio de Janeiro, formado e com residência em Urologia pela UERJ. Médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ), com fellowship em Cirurgia Robótica e mestrado em Ciências Médicas. Membro da SBU. CRM-RJ 52.84373-3 | RQE 45.420.

  • Graduação em Medicina pela UERJ

  • Residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de São Paulo

  • Residência em Urologia pela UERJ

  • Residência em Transplante Renal pela UERJ

  • Fellowship em Cirurgia Robótica pela UERJ

  • Mestre em Ciências Médicas pela UERJ (2026)

  • Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

  • Médico urologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ), onde atua em HoLEP, cirurgia robótica e outros procedimentos

  • Atua em Urologia desde 2007

Leia também: Câncer de próstata

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT). Posicionamento da SBU, SBOC e SBRT sobre o rastreamento do câncer de próstata. 2023. Disponível em: https://portaldaurologia.org.br/files/arquivos/filee4e2d7e8d48f92bae5f8f445d4e71e43.pdf

  2. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Esclarecimento ao público sobre a importância do PSA na detecção precoce do câncer de próstata. [s.d.; documento da gestão SBU 2018/2019]. Disponível em: https://www.labrede.com.br/portal/files/carta-publico-psa-sbpcml-sbu.pdf

  3. European Association of Urology (EAU). EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. 2026. Capítulo "Diagnostic evaluation". Disponível em: https://uroweb.org/guidelines/prostate-cancer/chapter/diagnostic-evaluation

  4. Lin DW, Carlsson S, Filson CP, et al. Updates to Early Detection of Prostate Cancer: AUA/SUO Guideline (2026). J Urol. 2026;215(5):491-501 (publicado on-line em 26/02/2026). DOI: 10.1097/JU.0000000000004995. PMID: 41744286.

  5. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 9/2023-COSAH/CGACI/DGCI/SAPS/MS: recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata. 2023. Disponível em: https://antigo.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//notatecnica_rastreio_cancer_de_prostata_2023.pdf

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento é individual.

Se tiver dúvidas, agende uma avaliação pelo WhatsApp: (21) 99535-2998.

Consultório: R. Visconde de Ouro Preto, 5, 5º andar — Botafogo, Rio de Janeiro/RJ.

Dr. Guilherme Littig — Urologista | CRM-RJ 52.84373-3 | RQE 45.420

 
 

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